O São Paulo vive um dos momentos mais conturbados de sua história. Com as questões econômicas explodindo, os escândalos de polícia, os problemas de lesões e os maus resultados, o Tricolor busca virar a página para dar algum alívio ao seu torcedor. A esperança de dias melhores passa pelo Campeonato Paulista, onde, mesmo diante de tantos problemas, o Tricolor Paulista segue como um dos favoritos.
Com a instabilidade de Zubeldía no cargo de treinador, o São Paulo foi atrás de um velho conhecido para tentar colocar as coisas no lugar: Hernán Crespo. O comandante argentino teve um bom início, porém as turbulências extracampo vieram à tona e o campo sentiu. No fim das contas, o Tricolor caiu sem fazer frente para a LDU na Libertadores, caiu nos pênaltis para o Athletico Copa do Brasil e terminou longe dos líderes no Brasileirão sem a vaga na Libertadores para 2026. No Paulistão, o clube também não brilhou.
Crespo não conseguiu tirar leite de pedra
Quando reassumiu o comando técnico da equipe paulistana, Crespo acumulou cinco vitórias consecutivas e recolocou o Tricolor na briga pelas primeiras posições do Brasileirão. Porém, a boa fase inicial esbarrou nos problemas de lesão, que fizeram o São Paulo degringolar em todas as competições e sair de todas as disputas que teve. E essa foi só a ponta do iceberg.
O clube do Morumbi liderou os índices de lesões na temporada de 2025 no Brasileirão e segue nas primeiras posições num recorte de dez anos, de acordo com o GE. O Tricolor perdeu suas peças principais durante a temporada, estando, em um momento do ano, sem 13 jogadores por conta de questões físicas, perdendo qualidade, consequentemente.
Essa bola gigante, posteriormente, escancarou problemas ainda maiores e colocou o nome do São Paulo nas páginas policiais, envolvendo desvios, tratamentos indevidos no departamento médico, pedidos de impeachment e poucos recursos para reforçar o elenco, muito acometido pelas lesões. Crespo pouco pôde fazer para evitar um dos piores anos da história recente do clube. De olho na redenção, no Paulistão, o Tricolor enfrenta Mirassol, São Bernardo, Corinthians, Portuguesa, Palmeiras, Santos, Primavera e Ponte Preta.
Austeridade segue em 2026
Todos os problemas citados refletiam em um maior ainda: o São Paulo vivia um ano de austeridade. Sem dinheiro para se reforçar e com as dívidas aumentando, o Tricolor tinha de vender suas promessas a valores baixíssimos a fim de contratar outros atletas, majoritariamente sem equipe e recebendo apenas o salário. E esse cenário se repetirá para 2026, sem contratações badaladas para animar a torcida.
Em busca de reforçar o seu elenco, o Tricolor Paulista foi atrás de “oportunidades de mercado”. É nessa linha que nomes como Danielzinho, Carlos Coronel e Lucas Ramon chegaram ao Morumbi. Jogadores que estavam, ou ficariam sem contrato, e chegam para reforçar lacunas pontuais na defesa e no meio de campo. Outros “reforços” são os retornos de lesão: Calleri, André Silva e Lucas Moura estão recuperados. Vale destacar, também, as permanências definitivas de Gonzalo Tapia, Enzo Díaz e Marcos Antônio.
Em contrapartida, o clube do Morumbi não contará mais com Oscar, que se aposentará por conta de problemas no coração, Luiz Gustavo, Dinenno, Rigoni e Jandrei, que ficaram sem vínculo. O Tricolor quase perdeu Pablo Maia e Ferraresi, que estiveram ligados ao Botafogo mas permanecerão, e ainda pode perder Rodriguinho, na mira do Bragantino, além de outras promessas da base.
“O único jeito de dar superávit era vendendo atletas. A decisão é coletiva. Não foi do Julio Casares. Pensamos juntos e vendemos. Sobre valor, é uma discussão tola. É uma lei de oferta e procura. O mercado chega com uma proposta e, com o São Paulo em um momento financeiro mais difícil, a proposta vem menor. Sou contra vender parte da base. Cotia é nossa mina de ouro. Não podemos contratar nenhum jogador pagando transferência. Mas é uma situação financeira, que tem de buscar recursos para manter o clube”, disse Carlos Belmonte, ex-diretor de futebol da equipe em entrevista à ESPN, ao deixar seu cargo.
Chegadas: Carlos Coronel (ex-NY Red Bulls), Danielzinho (ex-Mirassol) e Lucas Ramon (ex-Mirassol)*
* Só chega em maio, ao fim de seu vínculo com o Leão
Saídas: Iba Ly, Andrade, Matheus Belém, Maílton, Patryck, Jandrei, Leandro Mathias, Juan Dinenno e Rigoni
Craque: Lucas Moura
Mesmo retornando de questão física delicada, ainda sem estar 100%, Lucas Moura é a referência técnica do São Paulo e seguirá com essa responsabilidade para 2026. Com seu camisa 7 saudável, o Tricolor ganha muito poderio ofensivo, com a imprevisibilidade e a habilidade do jogador de 33 anos. Em 2025, o jogador não conseguiu demonstrar o futebol de alto nível apresentado em 2023 e 2024, mas a volta por cima pode ocorrer neste ano.
Fique de olho: Maik Gomes
Os problemas de lesão também trouxeram pontos positivos para o São Paulo. Um deles foi a sequência de Maik Gomes, por conta da ausência de Cédric Soares. O lateral direito foi considerado um dos destaques do título da Copinha no começo do ano e, ao fim dele, acumulou certa sequência na posição. É esperado que, em um campeonato intenso e de tiro curto como o Paulistão, Maik jogue regularmente com Crespo.
Expectativa: Briga pelo título
Nem mesmo o ano austero, os problemas de lesão, as questões extracampo e as dificuldades no mercado de transferência tiram o São Paulo do rol de protagonistas e favoritos do campeonato estadual. É bem verdade, porém, que as coisas ficam mais complicadas, mas é esperado que o Tricolor esteja nas semifinais e brigue pelo título do Paulistão.
Adicionar um comentário

