Você provavelmente nunca ouviu falar no Castellon, mas esse nome pode vir a aparecer nos jornais num futuro próximo. Fundado em 1922 e com apenas um título no currículo (uma Segunda Divisão em 88/89), o Club Deportivo Castellon disputa, atualmente, o segundo nível da Espanha e, com o ex-jogador da seleção espanhola Pablo Hernández no comando, pode pintar na elite em 26/27.
O grande destaque é o seu treinador, um ex-meia de 40 anos. Como jogador, Pablo fez grande parte de sua carreira em seu país. Formado no próprio Castellon, clube de sua cidade natal, o meio-campista se transferiu ao Valencia ainda na base, onde disputou mais de 150 partidas e foi companheiro de grandes nomes como David Villa, Canizares e David Silva.
Outro clube em que Hernández fez história é o Leeds United, equipe que mais defendeu na carreira (175 jogos), que conquistou um de seus poucos títulos, a Championship em 19/20 e que fez parceria com Raphinha no setor ofensivo. Foram cinco temporadas por lá, de 16/17 até 20/21.
Além de Valencia e Leeds, o agora ex-atleta espanhol passou por Getafe, Swansea City, Al-Arabi SC, Al-Nasr e Rayo Vallecano na carreira. Na época de Valencia, Pablo chegou a ser convocado para a seleção espanhola, onde disputou quatro jogos entre Copa das Confederações de 2009, Amistosos e Eliminatórias da Copa do Mundo de 2014.
Para as duas temporadas finais de sua carreira, o meia retornou aos Orelluts, disputando a Primera División RFEF, equivalente à terceira divisão, duas vezes antes de pendurar as chuteiras, na temporada 22/23. O foco, posteriormente, seria fazer a transição de dentro para fora dos gramados.
Foi em 16 de setembro de 2025 que, após trabalhar nas categorias de base, Hernández assumiu, de forma interina, o comando da equipe profissional do Castellon, na sétima rodada da segunda divisão, após a demissão de Johan Plat. Menos de dois meses depois, em razão de seu bom desempenho, Pablo foi efetivado no cargo. E dali em diante a ascensão foi meteórica.
Da água para o vinho na temporada de estreia
Quando Pablo assumiu, o Castellon era o 12º colocado do torneio, com oito pontos ganhos em sete jogos. 17 partidas depois, o clube ocupa a vice-liderança da Segunda Divisão, com 39 pontos somados. O aproveitamento na beirada do gramado é de 66,7%, com dez vitórias, quatro empates e três derrotas. E tudo isso em sua primeira temporada como treinador profissional.
Antes creditado à briga contra o rebaixamento, levando em conta a posição na última temporada da Segunda Divisão (um mero 17º lugar), o Castellon rapidamente se tornou um forte candidato ao acesso à elite espanhola, que seria o primeiro desde 1989/90, quando conquistou seu único título até então.
Equipes como Las Palmas e Deportivo La Coruña, que disputavam as primeiras posições do campeonato junto do Almería, foram derrotadas e ultrapassadas pelo Castellon de Pablo Hernández. Quem também sucumbiu na mão dos Orelluts foi Huesca, Málaga e Sporting Gijón, equipes que há pouco tempo estavam na elite.
Álex Calatrava, ponta de 25 anos com passagem pelo Atlético de Madrid, Ousmane Camara, centroavante de 24 anos, e Jeremy Mellot, volante de 31 anos, são os principais destaques do Castellon em 25/26. Os dois primeiros são os artilheiros, com cinco gols cada, enquanto o último é o que mais entrou em campo, com 23 partidas, tal qual Calatrava.
E claro que os brasileiros estão presentes no elenco do Castellon. O atacante Douglas Aurélio e o volante Ronaldo da Silva nunca atuaram profissionalmente no Brasil e fizeram suas carreiras por Portugal e Itália, respectivamente. Ambos, porém, não são titulares no elenco de Pablo Hernández.
A equipe terminou o primeiro turno na quarta colocação do campeonato e pulou duas posições após duas rodadas. Com 23 jogos disputados, o Castellon tem de manter a compostura, seguir em boa fase e somar mais resultados positivos para retornar à elite depois de 36 temporadas. Ainda com direito à reviravolta de um ex-meia da Fúria no comando técnico…
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