Recém-promovido à elite do futebol brasileiro, o Remo chega ao Campeonato Brasileiro com um discurso ambicioso e um planejamento que foge do padrão tradicional de clubes que retornam à Série A.
Ativo no mercado desde o fim da temporada passada, o clube paraense apostou em um processo agressivo de reforços e sinaliza que o objetivo vai além da simples permanência na divisão principal.
Mercado agressivo e investimento histórico
Ao todo, mais de uma dezena de contratações já foi anunciada, misturando nomes experientes do futebol nacional com apostas vindas do cenário sul-americano.
Entre as figurinhas carimbadas, destacam-se Patrick de Paula, Zé Welison e Yago Pikachu, atletas com rodagem em Série A e histórico de decisões importantes. A ideia da diretoria foi acelerar o processo de adaptação do elenco ao nível de exigência do Brasileirão, reduzindo riscos comuns a times recém-promovidos.
O movimento mais emblemático do Remo no mercado foi a contratação do volante Leonel Picco (que ainda não foi anunciada). A operação, estimada em cerca de R$ 9 milhões, já é a mais cara da história do clube e simboliza a busca por um novo patamar financeiro e esportivo.
Além de Picco, o Remo buscou reforços no futebol sul-americano como Cufré e Rafael Monti, jogadores vistos internamente como peças capazes de agregar intensidade, competitividade e versatilidade ao elenco. No mercado nacional, o clube também confirmou as chegadas de Alef Manga, Carlinhos, João Lucas, Zé Ricardo, Léo Andrade, Thalisson, Marlon e Patrick, ampliando as opções em praticamente todos os setores do campo.
A diretoria ainda negocia a contratação do goleiro Ivan, do Internacional, o que reforça a preocupação em qualificar uma posição estratégica para uma equipe que deve enfrentar pressão constante ao longo da competição.
Osório no comando e gestão em transição
Às vésperas do início do Brasileirão, o Remo também promoveu mudanças importantes fora das quatro linhas. Guto Ferreira deixou o comando técnico, e o clube apostou no colombiano Juan Carlos Osório para liderar a equipe na Série A. Conhecido pelo perfil estudioso, ideias ofensivas e histórico de trabalhos marcados por variação tática, Osório foi escolhido para dar identidade ao time e potencializar o elenco montado pela diretoria.
Dentro de campo, a projeção é de um Remo competitivo, com elenco numeroso e alternativas táticas para enfrentar adversários de maior investimento. A presença de jogadores experientes, aliada ao modelo de jogo proposto por Osório, deve permitir uma postura menos reativa em determinados jogos, especialmente atuando em casa, enquanto a profundidade do elenco tende a ser um diferencial em uma competição marcada por desgaste físico e calendário apertado.
Fora das quatro linhas, o clube passou recentemente por uma mudança relevante na gestão do futebol. Marcos Braz deixou o cargo de executivo após oito meses de trabalho, período em que liderou a maior parte das contratações, e o Remo anunciou Luís Vagner Vivian, ex-executivo do Grêmio, para a função. A transição ocorre em meio à preparação para a Série A, mas a expectativa interna é de continuidade no projeto e alinhamento com a nova comissão técnica.
Com um planejamento considerado “ousado” nos bastidores, o Remo entra no Campeonato Brasileiro cercado de expectativa. O investimento elevado, a aposta em um treinador de perfil internacional e um elenco experiente colocam o clube como um possível candidato a surpreender na temporada. Resta saber se a ambição e as escolhas estratégicas se transformarão em desempenho consistente ao longo do campeonato.
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