A escalação de Danilo na final da Libertadores era dúvida antes da confirmação oficial. O zagueiro foi reserva ao longo da campanha e ganhou espaço na reta final da temporada com a lesão de Léo Ortiz. Contra o Palmeiras, Danilo pairou no ar como um beija-flor para se tornar o herói improvável rubro-negro no “santuário” de Lima, o Monumental, que viu de novo o Flamengo sair campeão da América.
Após o jogo, emocionado, em luto pela morte de um familiar, calejado pelas cicatrizes que a temporada (e a vida) deixaram expostas, Danilo desabou.
“Sempre imaginei chegar longe, mas não tão longe assim, e não sabia que ia ser tão difícil. Cada um tem seus sacrifícios que ninguém vê. Pedi que a gente colocasse nosso ânimo nesse sacrifício. Levo um edema desde o primeiro jogo contra o Palmeiras, no Brasileiro. Tentamos criar um senso de família. Diria para o Danilo de Bicas para se permitir sonhar”, disse, para a Globo.
E o menino de Bicas sonhou. O gol do título foi o segundo dele em finais de Libertadores. Danilo marcou, também, no jogo decisivo do Santos contra o Peñarol, que terminou com festa do Peixe no Pacaembu em 2011.
Depois daquela final, Danilo foi para a Europa, chamou a atenção do Real Madrid após boas temporadas no Porto e foi bicampeão da Liga dos Campeões pelos Merengues. Danilo é, portanto, o primeiro jogador a conquistar dois títulos de Champions e de Libertadores.
Após mais de uma década na Europa, o retorno ao Brasil foi “uma escolha do coração”, do menino de Bicas que brincava de bater faltas imaginando que era o Petkovic. Do menino de Bicas que, quis o destino, virou o herói improvável de uma nação. Como ele talvez não tivesse ousado sonhar um dia…
Em uma carreira de 21 títulos, Danilo espera aumentar a galeria na próxima semana: se o Flamengo vencer o Ceará e confirmar o Brasileirão, o zagueiro irá conquistar o título do quinto campeonato nacional diferente, depois do Português, Espanhol, Inglês e Italiano.
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