A Ponte Preta está indo do céu ao inferno em questão de meses. Não faz muito tempo que a Macaca foi campeã da Série C, seu primeiro título nacional, e conquistou o acesso à Série B, mas a crise financeira se instaurou de vez no Moisés Lucarelli: o elenco está há meses sem receber e, recentemente, entrou em greve, o que fez alguns atletas buscarem a rescisão contratual ainda durante a pré-temporada.
Mesmo diante de tantos problemas, Marcelo Fernandes bateu no peito e resolveu seguir no comando do clube campineiro. Pela primeira vez em sua carreira enquanto treinador, o ex-auxiliar do Santos montará um elenco com a sua cara, mas as pendências econômicas bateram na porta e mudaram a rota da Macaca para 2026.
Greve financeira muda tudo na Ponte
O mundo da Ponte Preta virou de cabeça para baixo em 2026. Se antes o futuro parecia animador, com a equipe parecendo retornar aos tempos áureos, a realidade, na verdade, será dura. A esperança fica pela manutenção de Marcelo Fernandes, que tinha superado algumas pendências para conduzir o clube ao título da Série C e ao acesso em 2025, mas fato é que, por agora, tudo piorou.
“Essa questão financeira faz nós darmos o nosso melhor. Nós somos seres humanos, assim como os jogadores. Precisamos dos nossos vencimentos em dia. Essa situação chegou ao limite máximo, não tinha como desenrolar de outra forma se não uma greve. Extrapolou todos os pontos imagináveis. A Ponte tem que se organizar. E eu, enquanto comandante, não podia virar as costas. A gente tem que ter perseverança. Eu tenho muito respeito pela Ponte, e a forma de demonstrar isso é aguentar, ficar e acreditar no que a gente vem fazendo”, disse Marcelo, exclusivamente para oGol.
Dentro das quatro linhas, é bola por bola. Os problemas financeiros “refletem no campo”, como disse o treinador, mas, com as pendências quitadas, a Macaca dará tudo de si no Campeonato Paulista. A Ponte ficou com um gostinho amargo no Paulistão de 2025, quando somou 22 pontos mas foi eliminada ainda na fase de grupos no “grupo da morte”. Em 2026, a equipe enfrenta Corinthians, Velo, Capivariano, São Bernardo, Noroeste, Guarani, Portuguesa e São Paulo na primeira fase do torneio.
Busca por reforços também sofre
A Ponte teve e tem muitas dificuldades no mercado por conta dos atrasos nos salários, que completaram sete meses em dezembro, mas começaram a ser quitados próximo ao natal. O principal reflexo foi na saída de atletas: além das saídas pós Série C, como Éverton Brito, Pedro Rocha e Léo Oliveira, seis atletas deixaram o clube na pré-temporada por conta das incertezas financeiras.
“Está sendo um trabalho de muita dificuldade. A gente procura jogadores no perfil da Ponte, mas isso (a greve) pegou a gente de surpresa. A gente nunca esperava que isso fosse acontecer. Agora é assimilar. A dificuldade do campeonato é grande. Tem que estar ligado desde o começo. É apenas um mês para saber as condições de classificação e não correr nenhum risco na parte de baixo. Temos adversários muito difíceis, tem que entrar com a faca nos dentes. Mas eu confio muito no meu elenco”, pontuou o treinador.
O anúncio de reforços começou no meio de dezembro, mas a Macaca não apresentou muitos nomes para a sua torcida. Diante dos problemas já estipulados, a Ponte perdeu dois atletas que havia recém-contratado: Igor Inocêncio chegou a treinar na Ponte, mas não assinou contrato e foi jogar no Botafogo, enquanto Wallace foi anunciado ao começo de dezembro, mas buscou a rescisão antes mesmo da virada do ano. A grande e dura realidade é que há uma nuvem de incertezas sobrevoando o Moisés Lucarelli.
Chegadas: Cristiano (ex-Londrina, Thiago Coelho (ex-Caxias), Tárik (ex-Ferroviária), André Lima (ex-Paysandu), Walisson Maia (ex-Vila Nova), Bryan Borges (ex-Paysandu) e Hebert (ex-América-RN) *
*Ainda há dúvida se todos os jogadores realmente jogarão o Paulistão, pela questão salarial
Saídas: Kevyn, Éverton Brito, Matheus Kayser, Wallace, Gabriel Inocêncio, Lucas Cândido, Pedro Rocha, Léo Oliveira, Wanderson, Ricardo Oliveira e Artur
Craque: Élvis
O camisa 10 é um dos que segue na Macaca para 2026, para sua quinta temporada como jogador da Ponte. Aos 35 anos, Élvis foi o principal articulador de jogadas da equipe campineira em 2025, sendo responsável mor pela criação ofensiva e se destacando na Série C, inclusive sendo eleito o craque do campeonato. “É um jogador com muita identidade com o clube, é o capitão, é peça fundamental, tem minha total confiança”, disse Marcelo.
Fique de olho: Gustavo Telles
Com tantas indefinições no elenco, Gustavo Telles é um dos que deve ter mais oportunidades em 2026. O volante é praticamente intocável no elenco sub-20, e fez a transição aos profissionais da Ponte em 2025, quando entrou em campo 12 vezes. Com a confiança de Marcelo Fernandes, Gustavo pode ser mais presente nas escalações da Macaca, principalmente no Paulistão.
Expectativa: Briga pela permanência
Antes da greve se instaurar no Moisés Lucarelli, a Ponte com certeza era candidata a fazer uma boa campanha e brigar pela classificação, mas a realidade é que os atrasos salariais com certeza refletirão diretamente dentro de campo. Com dificuldades para se reforçar e manter as peças, a Macaca brigará na parte de baixo da tabela, e é mais uma candidata ao rebaixamento à Série A2.
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